Como funciona o modelo

O modelo estima, para cada clube, uma força de ataque e uma força de defesa. Ajusta-as a dois sinais de cada jogo: os golos marcados e sofridos, modelados em conjunto (um Poisson bivariado, que permite que os golos das duas equipas no mesmo jogo não sejam independentes), e os remates à baliza, que dizem mais sobre o domínio de um jogo do que um resultado de 1-0.

Os dados são as últimas quatro épocas da Primeira Liga e da Liga 2, juntas, para que os clubes promovidos cheguem com historial. Cada jogo pesa menos quanto mais antigo é: um jogo de há cerca de 23 meses vale metade de um de hoje. O ponto de partida de cada clube é o valor do seu plantel (Transfermarkt), medido época a época, para que os resultados antigos sejam lidos contra o plantel que o clube tinha nessa altura.

O modelo é reajustado de raiz a cada publicação, com os jogos disputados até então. Uma publicação nem sempre coincide com o fim exato de uma jornada: algumas incluem já jogos da jornada seguinte, ou saem antes de acabarem todos os da própria, e os dados abertos dizem quais.

O modelo que publica as previsões

Desde a jornada 1 de 2026-27 (agosto de 2026), as previsões vêm do modelo descrito acima. A previsão de pré-época de 2026-27 e as previsões da época 2025-26 vieram do modelo anterior. Cada ficheiro de previsão diz que modelo o produziu; os nomes internos dos dois modelos estão nos dados abertos.

As simulações

Com as forças estimadas, simulamos todos os jogos que faltam, 50 000 vezes. Cada simulação começa por sortear forças plausíveis para cada clube, dentro da incerteza do modelo, e depois os golos de cada jogo, com a vantagem de jogar em casa. Cada simulação produz uma classificação final completa.

As probabilidades que apresentamos vêm diretamente destas simulações. Se uma equipa termina em primeiro lugar em 51% das simulações, dizemos que tem 51% de probabilidade de ser campeã: é a contagem de quantas vezes cada resultado acontece. Os pontos finais aparecem com um intervalo de 90%: o total de pontos fica dentro dele em 90% das simulações.

Despromoção é acabar em 17.º ou 18.º

Nas nossas páginas, despromoção é terminar em 17.º ou 18.º lugar: a descida direta à Liga 2. O 16.º classificado joga um play-off com o 3.º da Liga 2 e também pode descer, mas esse lugar não entra na probabilidade de despromoção que mostramos.

Calibração dos intervalos de pontos

Um intervalo de 90% só é honesto se, olhando para o passado, apanhar o resultado real cerca de 90% das vezes. Em 9 épocas passadas, de 2017-18 a 2025-26 (162 equipa-épocas, avaliadas em 6 momentos da época: 972 previsões, que não são independentes entre si), o intervalo de 90% para os pontos finais conteve o total real em 89,3% dos casos.

Quem lidera ganha o título mais vezes do que o modelo diz

Lê com cautela: no passado, o modelo subestimou quem liderava com 3 ou mais pontos de vantagem (deu-lhes 63% em média, e foram campeões em 82% dos casos, sem dois casos com um erro nos dados).

Verificámos o que acontece às equipas que lideram. Nas épocas de 2017-18 a 2025-26, houve 19 momentos avaliados (em 8 épocas) em que uma equipa liderava com 3 ou mais pontos de vantagem. Dois são da primeira jornada e resultam de um erro nos dados (jornadas em que a mesma equipa aparece duas vezes), por isso deixamo-los de fora. Nos outros 17, o modelo deu a quem liderava, em média, 63% de probabilidade de ser campeão; foi campeão em 82% desses casos. Com os dois casos com erro, os números seriam 56% e 74%.

Ou seja: o modelo tende a subestimar quem lidera. A amostra é pequena: 17 momentos, que não são independentes (a mesma época e o mesmo líder contam várias vezes), por isso a amostra efetiva é ainda menor e o tamanho exato da diferença é incerto, mas o sentido repete-se. Também não sabemos ainda corrigi-lo: nenhuma das alternativas testadas passou nos nossos testes, e por isso o modelo publicado não mudou. Algumas dessas alternativas, que os testes não conseguem distinguir do modelo atual, dariam ao Porto, na previsão da jornada 7 de 2026-27, entre 57% e 62%, em vez de 51%.

Lê as probabilidades de título como uma estimativa provavelmente conservadora para quem vai à frente. As probabilidades de despromoção não foram verificadas desta forma. (Avaliação interna de 25 de setembro de 2026.)

Pontos esperados (xPts)

Os pontos esperados vêm do xG de cada jogo, da FotMob. Para cada jogo, o xG das duas equipas é convertido, com uma distribuição de Poisson, em probabilidades de vitória, empate e derrota, e daí em pontos esperados: três vezes a probabilidade de vitória mais a de empate. Somados ao longo da época, dão os xPts de cada equipa.

Os xPts não usam o modelo de previsão: são uma leitura independente. A diferença entre pontos reais e xPts mistura a eficácia de quem remata, as defesas do guarda-redes e o acaso, por isso não é uma separação limpa entre sorte e talento.

Outros jogos que pesam e o duelo final

As páginas dos clubes leem um só objetivo por clube: o título a partir de 1% de probabilidade de ser campeão, senão a despromoção a partir de 1%. «Outros jogos que pesam» lista os jogos de outros clubes, na jornada publicada e em atraso, cujo resultado mexe pelo menos 3 pontos percentuais nesse objetivo, com a probabilidade em cada um dos três resultados. Cada número é a probabilidade nas simulações em que esse resultado aconteceu: uma probabilidade condicional, não uma nova corrida do modelo. Abaixo de 3 pontos percentuais, a diferença confunde-se com o ruído das simulações.

O duelo final usa outra coisa: 300 épocas completas sorteadas das simulações. Conta quem acaba com mais pontos e quantas épocas acabam empatadas em pontos. Com essa amostra, uma percentagem como 64% pode estar uns 5 pontos percentuais acima ou abaixo, muito mais do que as probabilidades de título calculadas com todas as simulações.

Jogos decisivos

Para medir o peso de cada jogo, separamos as 50 000 simulações pelo resultado desse jogo (vitória da casa, empate, vitória de fora) e comparamos a probabilidade de título, ou de despromoção, em cada grupo. Não voltamos a simular a época: é a mesma contagem, feita dentro de cada grupo. Os jogos em que a diferença entre o melhor e o pior resultado é maior são os mais decisivos. Como cada simulação sorteia também a força das equipas, separar pelo resultado mistura o efeito dos pontos com o que esse resultado diz sobre a força de cada clube: a diferença é uma leitura condicional, não o efeito isolado de ganhar. O mesmo vale para o que muda com cada resultado nas páginas dos jogos e dos clubes.

Cria o teu cenário

Na página de cada clube, podes fixar o resultado de qualquer jogo que lhe falte e ler o título ou a despromoção depois de cada escolha (um clube que luta pela permanência lê-se sempre pela despromoção). Ficam marcados como decisivos os jogos em que ganhar ou perder mexe pelo menos mais 5 pontos percentuais do que num jogo típico dos que faltam ao clube; quando nenhum se destaca, a página diz quanto mexe cada jogo. Com uma escolha, o número é a probabilidade condicional tirada das simulações. Com várias, as escolhas combinam-se como se fossem independentes entre si: é uma aproximação, porque o ficheiro publicado guarda o efeito de cada jogo, não o de cada combinação de jogos.

Como medimos os jogadores

A página de jogadores publica várias métricas separadas, uma por dimensão do jogo, porque um guarda-redes e um avançado não se medem com o mesmo número. Cada uma vem de um modelo bayesiano próprio, ajustado às atuações individuais na Liga, com as épocas e o mínimo de minutos que o seu próprio ficheiro indica:

  • Finalização (épocas 2023-24 a 2026-27, mínimo de 600 minutos): golos por 90 minutos acima de um jogador de nível de substituição (SAR, do inglês skill above replacement), descontados os minutos, o adversário e o fator casa. Os golos de cada jogo são limitados antes da conta, para que uma tarde de quatro golos não passe por talento permanente.
  • Contribuição ofensiva (épocas 2023-24 a 2026-27, mínimo de 600 minutos): a mesma conta, com golos e assistências juntos.
  • Posse disputada (épocas 2023-24 a 2026-27): a probabilidade de ganhar duelos aéreos e no chão, para defesas e médios, agregada sobre a carreira nessas épocas.
  • Guarda-redes (épocas 2023-24 a 2026-27): a intervenção em cruzamentos e as saídas da área, publicadas em separado. A defesa de remates não separa os guarda-redes da média nestas épocas, por isso não tem lista.
  • Defesas (épocas 2023-24 a 2026-27, mínimo de 450 minutos): uma mais-valia ajustada sobre golos sofridos, estimada mas sem ranking: nenhum dos 786 jogadores passou o critério pré-registado para se separar dos colegas de equipa.

Cada valor vem com um intervalo de credibilidade de 90%: o modelo dá 90% de probabilidade a que o valor verdadeiro esteja lá dentro. Com poucos minutos, o valor é puxado para o nível de substituição e o intervalo alarga-se. A página também mostra verificações técnicas de cada ajuste (se o algoritmo convergiu); estão numa caixa à parte, para quem as quiser ler.

Um jogador «separa-se» da média quando o seu intervalo de 90% deixa de fora a média da posição (nos defesas, o zero). Ao lado de cada contagem, a página diz quantos se separariam só por acaso, e com que teste: na posse disputada, um teste de permutação (o mesmo ajuste com os duelos baralhados entre colegas do mesmo clube, época e posição); nos guarda-redes e nos defesas, a taxa nominal de um intervalo de 90%, que deixa um em cada dez valores de fora. Quando o modelo encolhe muito os valores, como nos defesas, essa taxa exagera o que o acaso daria.

Os dados de finalização e de contribuição vão até 10 de outubro de 2026, com a época 2026-27 em curso: minutos, golos e últimas partidas param aí até esses modelos serem reajustados; a posse disputada, os guarda-redes e as defesas usam as épocas que os seus ficheiros indicam.

O que avaliámos e o que não avaliámos

  • Avaliado: a previsão de vitória, empate ou derrota de cada jogo da jornada seguinte, contra a linha de fecho do mercado, em épocas passadas. O resultado está em modelo vs mercado.
  • Avaliado: os intervalos de 90% para os pontos finais (secção acima).
  • Verificado em parte: as probabilidades de título de quem lidera, que o modelo tende a subestimar (secção acima).
  • Não avaliado: as probabilidades de despromoção e de top 3, os jogos decisivos, o «Cria o teu cenário», os outros jogos que pesam e o duelo final.

A comparação com o mercado também não é independente da escolha do modelo: o modelo atual foi escolhido entre variantes testadas nessas mesmas épocas, o que tende a favorecê-lo. A primeira avaliação limpa será a da época 2026-27.

O que fica de fora

O modelo dá a cada clube uma força fixa para o resto da época e não usa:

  • transferências de janeiro e outras mudanças no plantel a meio da época;
  • lesões, castigos e onzes iniciais;
  • fadiga de calendário e motivação;
  • mudanças de treinador.

As previsões são atualizadas depois de cada jornada. Os ficheiros estão em dados abertos.