Jogadores
Não existe forma honesta de pôr um guarda-redes e um ponta de lança na mesma tabela. São trabalhos diferentes, medidos por dados diferentes, e qualquer número único que os junte está a dizer sobretudo em que posição joga cada um.
Durante meses este site publicou exatamente esse erro. O ranking de jogadores media golos por 90 minutos acima de um substituto — uma boa métrica, mas de finalização — e apresentava-o como se fosse um ranking da Liga. Ao verificarmos a distribuição por posição, o problema era evidente: todos os guarda-redes do modelo recebiam exatamente o mesmo valor, porque o modelo não tinha nada a dizer sobre eles. Não estava a medi-los mal: não os estava a medir de todo.
A correção não é um número melhor. É admitir que são precisos vários, cada um com a sua escala, o seu intervalo de credibilidade e a sua amostra — e que comparar valores entre eles não faz sentido. Um 0,20 de finalização e um 0,20 de guarda-redes não são a mesma coisa.
Com ranking nesta página: finalização, contribuição, posse disputada, intervenção em cruzamentos. Modelo corrido mas sem ranking possível: defesa de remates (3 épocas), defesas.
Golos por 90 minutos acima de um jogador de nível de substituição, depois de descontar minutos, adversário e fator casa. Os golos são limitados antes da conta, para que uma tarde de quatro golos não passe por talento permanente.
O que esta lista não é: um ranking da Liga. Os 40 nomes publicados são 36 avançados, 4 médios — é uma métrica de avançados, e deve ser lida como tal.
Top 10 de 40 publicados. Mínimo de 600 minutos; ajustado a 29 812 atuações individuais desde 2023-24 · r̂ máx 1,030 · 0 divergências.
Ranking completo de finalizaçãoA mesma estrutura da métrica de finalização, mas com golos e assistências juntos. Cobre médios e extremos que marcam pouco e criam muito — os jogadores que a métrica de golos, por construção, não conseguia ver.
A coluna «vs golos» mostra quantas posições cada jogador sobe ou desce face ao ranking só de golos. É aí que está a história: quem o número antigo subestimava.
Estimativa bayesiana com encolhimento: poucos minutos puxam o valor para o nível de substituição e alargam o intervalo. épocas 2023-24–2026-27 · 29 812 observações · 722 jogadores · mínimo 600 minutos · r̂ máx 1,020 · 0 divergências.
O teste que esta página existe para passar: se uma posição inteira cai praticamente no mesmo valor, a métrica não a está a medir. Vale para o universo completo do modelo, não só para os jogadores listados acima.
| Posição | n | mediana | amplitude | valores distintos |
|---|---|---|---|---|
| Avançado | 178 | 0,157 | 0,817 | 148 |
| Médio | 251 | 0,019 | 0,433 | 151 |
| Defesa | 240 | -0,073 | 0,136 | 84 |
| Guarda-redesnão medido | 53 | -0,141 | 0,001 | 3 |
Ler a tabela: somar assistências resolve os médios, que passam a espalhar-se por uma amplitude real. Não resolve os defesas, e não resolve de todo os guarda-redes — que continuam praticamente todos no mesmo valor, porque não marcam nem assistem. É por isso que estas posições têm secções próprias em vez de uma linha nesta lista.
A probabilidade de ganhar um duelo — aéreo ou no chão — estimada sobre a carreira de três épocas de cada jogador. É a primeira métrica desta página em que defesas e médios se separam de facto uns dos outros, porque o resultado é atribuído ao jogador que disputou o lance, não à equipa inteira.
O que isto não é: uma classificação defensiva. Mede posse disputada — uma dimensão estreita e honesta — e nada mais. O contributo defensivo individual para os golos sofridos continua a não ser mensurável nesta liga, e nenhuma métrica desta página finge o contrário.
Os valores são agregados de carreira por necessidade: uma época sozinha não chega para separar jogadores. Um reforço acabado de chegar não pode ser avaliado durante cerca de duas épocas. Nos duelos aéreos dos defesas, a etiqueta de perfil (mais ou menos solicitação aérea) distingue centrais de laterais — compare dentro do mesmo perfil.
29 de 135 jogadores ajustados separam-se da média da posição (1.05 esperados por acaso). A lista mostra só quem está na Liga esta época.
14 de 75 jogadores ajustados separam-se da média da posição (0.95 esperados por acaso). A lista mostra só quem está na Liga esta época.
16 de 114 jogadores ajustados separam-se da média da posição (0.1 esperados por acaso). A lista mostra só quem está na Liga esta época.
35 de 193 jogadores ajustados separam-se da média da posição (0.9 esperados por acaso). A lista mostra só quem está na Liga esta época.
Épocas 2023-24–2026-27. Cada célula passou três portas pré-registadas: separabilidade acima de 3× o acaso, correlação com a qualidade do clube abaixo de 0,3 e estabilidade em jogadores que mudaram de clube. A taxa média da liga é exatamente 50% por construção — cada duelo ganho é o duelo perdido de outro jogador.
Não há aqui uma nota única de guarda-redes, e isso é deliberado: os três eixos têm fiabilidades época-a-época entre 0,72 e abaixo de zero, e qualquer média entre eles fabricaria precisão. Cada eixo diz uma coisa, com a sua incerteza.
A percentagem de cruzamentos sofridos em que o guarda-redes sai — alívio de punhos ou bola agarrada. É o primeiro eixo de guarda-redes deste site em que os jogadores realmente se separam: 12 de 50 no painel ajustado, para além do acaso (~5 esperados). E é do guarda-redes, não do clube: dois guarda-redes da mesma equipa não se parecem um com o outro (correlação -0,10). A lista mostra só quem está na Liga esta época.
Não lhe chamamos “domínio da área”: a métrica não distingue um guarda-redes que agarra de um que soca tudo.
Nenhum guarda-redes mudou de clube entre épocas consecutivas com jogos suficientes, por isso ainda não sabemos se esta característica viaja com o jogador.
Quantas vezes por 90 minutos o guarda-redes sai da área para cortar bolas nas costas da defesa. Isto é um eixo de estilo, não de qualidade: cerca de um terço da persistência vem da altura da linha defensiva do clube, não do guarda-redes. Um valor alto descreve como joga, não se joga bem.
0 de 50 guarda-redes se separam da média em 4 épocas de remates (~150 por guarda-redes). Já não é falta de dados: a resposta continua a ser que as diferenças entre guarda-redes da Liga a parar remates são reais mas demasiado pequenas para ordenar com confiança. Publicamos o nulo em vez de uma lista que fingiria sabê-lo.
Não há ranking de defesas nesta página, e isso é o resultado — não uma falha de publicação.
O modelo tentou estimar quanto cada defesa reduz os golos sofridos pela sua equipa, comparando o que acontece com e sem ele em campo. O problema é estrutural: os centrais jogam quase sempre com o mesmo parceiro, e a Liga tem 34 jornadas. Os dados não contêm informação suficiente para separar um jogador do seu colega do lado.
O que sai do modelo é sobretudo a defesa do clube, distribuída por quem estava em campo. Dos 786 jogadores estimados, nenhum passou o critério definido à partida — e o critério foi fixado antes de se ver o resultado, precisamente para não haver a tentação de o afrouxar depois.
Publicar a tabela na mesma seria vender ruído como ordenação. Preferimos dizer que não sabemos.
Mais-valia ajustada sobre golos sofridos, com encolhimento hierárquico. épocas 2023-24–2026-27 · 786 jogadores · mínimo 450 minutos · r̂ máx 1,010 · 0 divergências.
Cada métrica tem a sua escala. Não some, não compare nem faça médias de valores de secções diferentes: um guarda-redes e um avançado não estão a ser medidos na mesma unidade, e ordená-los juntos era exatamente o erro que esta página existe para corrigir.
Como funciona o modelo