Nada aqui é uma leitura atual da economia. A página descreve o que a secção mediria, de onde viriam os dados, como cada número diria o que é e como o protótipo foi avaliado.


A secção que preparamos

Uma leitura rápida e explicada de onde está a economia portuguesa: atividade, mercado de trabalho, inflação e risco de recessão. Não seria uma previsão do PIB nem substituiria o Banco de Portugal ou o INE, que são as fontes oficiais.

O princípio: cada número diria o que é e o que não é. Um resultado modesto seria apresentado como modesto; um resultado provisório, marcado como provisório; e, quando um modelo perdesse para uma referência simples, seria essa referência a publicada.


De onde vinham os dados

O protótipo usou cerca de 210 séries públicas, todas de fontes oficiais ou abertas:

  • BPstat (Banco de Portugal): atividade coincidente, crédito, depósitos, taxas de juro, stress financeiro e salários;
  • Eurostat: contas nacionais (o PIB), produção industrial, comércio a retalho, preços, mercado de trabalho e os inquéritos de confiança da Comissão Europeia (consumidores, indústria, serviços, construção e comércio, publicados no fim de cada mês);
  • FRED / ALFRED: incluindo as versões históricas do PIB português, que permitem avaliar uma estimativa contra o valor tal como foi publicado pela primeira vez;
  • Google Trends: séries de pesquisa;
  • BCE, REN, ENTSO-E, FMI e outros: taxas de referência, consumo de eletricidade e incerteza de política económica.

As transformações (variações homólogas e em cadeia, ajustamentos) eram automáticas e reproduzíveis; nenhum dado era editado à mão.


Cada número diria o que é

Cada número traria um de quatro selos, com um significado fixo:

  1. Dado oficial: um valor publicado por uma fonte oficial (INE, Eurostat, Banco de Portugal, IEFP), reproduzido tal e qual, com a data a que se refere. Não é nosso.
  2. Leitura: uma síntese de dados oficiais já publicados (o pulso da atividade, o mercado de trabalho, o risco de recessão corrente). Descreve o presente; não é uma previsão.
  3. Estimativa indicativa: uma estimativa de modelo para um valor que ainda não saiu (o crescimento do PIB do trimestre em curso). Nunca é autoritativa: o número oficial é o do INE.
  4. Previsão: uma distribuição simulada de resultados futuros (como pode acabar o ano). Seria sempre publicada como distribuição: lê os intervalos, não só o ponto central.

Como foi avaliado o protótipo

  • Como se fosse em tempo real. Repetimos a história do 1.º trimestre de 2005 ao 4.º de 2025: em cada trimestre, o modelo só vê o que estaria publicado nessa data. Os quatro trimestres de 2020 (a pandemia) ficaram fora da avaliação; os de 2021 entram. Uma ressalva: para a maioria das séries não há arquivo das versões antigas, por isso usámos os valores revistos de hoje, cortados pela data de publicação. Isso tende a fazer o modelo parecer melhor do que seria em tempo real. Os inquéritos de confiança, que trazem grande parte do sinal, quase não são revistos.
  • Contra a primeira publicação. Onde as versões antigas existem, comparámos cada estimativa com o PIB tal como saiu pela primeira vez, e não com o valor de hoje, que o modelo nunca poderia ter conhecido.
  • Contra uma referência justa. A referência é um AR(1): um modelo simples que estima o trimestre a partir do anterior, com os dados disponíveis à mesma data.
  • Intervalos a partir dos nossos próprios erros. Os intervalos não vêm da teoria do modelo, que os dava duas a três vezes estreitos demais, mas da distribuição dos erros que o protótipo cometeu no passado em cada momento do trimestre.

Uma vantagem modesta no teste interno, que não se repetiu no 1.º trimestre de 2026

Estes resultados são de um teste interno feito com os dados disponíveis até julho de 2026, sobre os 80 trimestres avaliados (2005 a 2025, sem 2020). Não são previsões publicadas e teriam de ser refeitos antes de qualquer publicação. O erro relativo compara o erro do modelo com o do AR(1): 0,90 quer dizer um erro cerca de 10% menor.

  • No primeiro mês do trimestre, uma combinação de dois modelos teve um erro relativo de cerca de 0,90.
  • No segundo mês, a mesma combinação com um indicador do sentimento económico teve cerca de 0,81, um resultado provisório. Esse indicador foi o único sobrevivente de um concurso com 19 candidatos e uma regra de seleção fixada antes. O valor-p bruto do teste de Diebold–Mariano foi 0,014, mas, como foi o melhor de 19, o valor-p ajustado à seleção é de cerca de 0,06 a 0,1: acima de 0,05, por isso não é estatisticamente significativo ao nível convencional. Ficou escrito antes dos resultados que, se a vantagem não se mantivesse nos trimestres seguintes, o indicador sairia.
  • No terceiro mês, o erro relativo foi de cerca de 0,78, uma vantagem modesta que não é significativa a 5% (valor-p de cerca de 0,23) e que depende em parte do ressalto de 2021: sem 2021, a vantagem encolhe para um erro relativo de cerca de 0,9.
  • Parte da vantagem é só acompanhar o nível. Na última década, uma média móvel simples dos últimos 12 trimestres capta a maior parte do ganho sobre o AR(1).
  • No primeiro trimestre avaliado depois da seleção (o 1.º de 2026), todos os modelos perderam para o AR(1). O intervalo de 80% cobriu o valor observado nos três momentos do trimestre; no segundo mês, por muito pouco.

O PIB do trimestre não seria o número principal

A primeira publicação do PIB é ela própria uma estimativa. Entre a primeira publicação e os valores mais recentes, as revisões do PIB português têm um erro típico (a raiz do erro quadrático médio) de cerca de 0,3 pontos percentuais, calculado por nós a partir das versões históricas guardadas no ALFRED (Reserva Federal de St. Louis). Nenhuma estimativa do PIB final pode ser mais certa do que isso. Por isso, se a secção fosse publicada, começaria pelas leituras de dados oficiais e trataria a estimativa do PIB do trimestre como o número menos autoritativo.


Os limites que assumimos

  • Há poucos trimestres para avaliar (80, sem os de 2020), por isso muitos resultados honestos são "modestos, não significativos".
  • Sem as versões antigas da maioria dos dados, a avaliação é só uma aproximação ao tempo real.
  • As estimativas do trimestre em curso seriam indicativas, nunca autoritativas.
  • O que não sobrevive à avaliação sai: modelos que pareciam bons foram retirados quando os números não se reproduziram.

Glossário

  • AR(1): um modelo simples que estima o próximo trimestre a partir do anterior. É a referência que qualquer modelo tem de bater.
  • Erro relativo: a raiz do erro quadrático médio (RMSE) do modelo a dividir pela do AR(1). Abaixo de 1, o modelo erra menos; 0,90 quer dizer um erro cerca de 10% menor.
  • Teste de Diebold–Mariano e valor-p: um teste que diz se a diferença de erros entre dois modelos podia ser acaso. Um valor-p abaixo de 0,05 é o limiar convencional para dizer que não é.
  • Primeiro, segundo e terceiro mês: o momento do trimestre em que a estimativa é feita. Quanto mais tarde, mais dados oficiais já saíram.
  • Indicador do sentimento económico: o índice da Comissão Europeia que resume os inquéritos de confiança.
  • Intervalo de 80%: a faixa onde, nos trimestres normais do passado, o valor oficial caiu oito vezes em cada dez.

Esta página descreve o protótipo testado até julho de 2026, avaliado até ao 1.º trimestre de 2026. O código da secção não é público.